Projeto de reflorestamento com tecnologia de ponta é lançado no parque
O Parque Ecológico Imigrantes (PEI), por meio da Fundação Kunito Miyasaka, deu um passo importante para aumentar a efetividade da sua prestação de serviços ambientais à sociedade. Com um processo de restauração florestal, o projeto “Sementes de Valor”, nasce para ampliar o raio de alcance do parque com a possibilidade de oferecer ao poder público e privado um serviço completo de reflorestamento de áreas degradadas, tendo como base mudas de espécies nativas da Mata Atlântica.
A iniciativa, que combina conhecimento tradicional e inovação, começa no novo viveiro do parque. O material básico são as sementes de espécies de árvores nativas e as bandejas, que são constituídas por 54 células onde são encaixados tubetes de 290 ml cada.
Com capacidade para trabalhar com cerca de 4.000 mudas por ciclo/ano, as mudas do viveiro passarão por tratamentos especiais para germinação, transplante para recipientes, manejo com irrigação e adubação. O desfecho culminará com a “rustificação” ou “endurecimento” das unidades, onde serão aclimatadas até se tornarem resistentes antes do plantio definitivo.

Para o presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Teodoro Tutomu Sato, a iniciativa está alinhada aos objetivos maiores da instituição. “Incentivar a reposição da Mata Atlântica com mudas certificadas vai auxiliar na manutenção da floresta. Esse é o nosso objetivo, esperamos que possamos contribuir com esse processo de conservação”, afirma.
O diretor do PEI, Marcio Takiguchi, explica que, a partir deste projeto, o parque trabalhará com duas vertentes. A primeira explicará aos alunos como se produz uma muda que futuramente será uma árvore e salvará o planeta. E a segunda implica na “a estratégia de, junto com os órgãos públicos municipais, escolas públicas e privadas, plantar o que for produzido em áreas carentes e prejudicadas”.
“Um projeto de vanguarda”, explica o consultor responsável, Oscar Kenjiro Norimassu Asakura. “O parque é absolutamente pioneiro com essa iniciativa.Não existe nada parecido no mundo”.
Asakura detalha as ferramentas a serem utilizadas no viveiro de mudas, como a identificação das árvores por radiofrequência (RFID), fornecida pela Sato do Brasil; os sacos protetores de raízes biodegradáveis de origem fóssil, produzidos pela CBS-ELOS; e a câmera hiperespectral, que será acoplada a um drone para medir a taxa de fotossíntese e monitorar o crescimento das mudas.

Presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Teodoro Tutomu Sato
“Com o RFID, é possível monitorar os exemplares com o uso de ondas de rádio para identificar e rastrear os códigos de barras ou QR Code que serão acoplados nas mudas”, explica. Já a câmera hiperespectral, vai possibilitar acompanhar o crescimento e a saúde da floresta replantada.
Os integrantes do grupo que foram conhecer o novo viveiro de mudas destacaram o caráter educativo e transformador da iniciativa. O vice-presidente do Conselho Diretor, da Fundação Kunito Miyasaka, Elio Sigueo Yamamoto, ficou impressionado com o que viu. “O que eu vi hoje é uma coisa irreversível. Nós temos que pensar no no futuro, principalmente com as mudanças climáticas que são muito graves”.
O empresário Douglas Ono, que acompanhou a visita, relatou uma mudança de paradigma. “Hoje pude aprender que uma árvore, depois dos 15 ou 20 anos, já não sequestra mais o carbono da atmosfera como fazia quando era jovem. Por isso, os projetos de manejo ambiental de florestas são tão importantes para o planeta”.

O projeto “Sementes de Valor” consolida o Parque Ecológico Imigrantes como um centro de referência em restauração ecológica inteligente, unindo preservação, tecnologia de ponta, geração de renda para comunidades e educação ambiental para as futuras gerações.
Cultivo de mudas
Um minucioso e tecnológico processo de cultivo garante a produção de milhares de mudas nativas no viveiro do Parque Ecológico Imigrantes. Sob a responsabilidade dos monitores Kleber Braga e Manoel Crepardo, cada planta passa por três etapas rigorosas antes de estar pronta para o reflorestamento.
“Trabalhamos com bandejas altamente eficientes para cada processo”, explica Crepardo. “O primeiro processo é a germinação, onde são depositadas as sementes nas bandejas com substratos especiais, em condições controladas de luz, umidade e oxigênio”.
Após germinar, as mudas seguem para a fase de crescimento. “Elas vão para tubetes maiores para alcançar um determinado tamanho e um crescimento vegetativo saudável”. O ciclo se encerra na rustificação. “É onde as mudas vão se aclimatar e se adaptar para ir a campo”.
A irrigação do viveiro é um exemplo de aproveitamento sustentável. “Usamos a água da chuva para a irrigação”, afirma Braga. A água é armazenada em um sistema de captação com capacidade total de 20 mil litros. “Temos uma enorme reserva em caso de escassez”.
A tecnologia está presente no controle preciso da irrigação. “Na germinação usamos um sistema de nebulização, que é um processo delicado para não furar o substrato. Já no crescimento e rustificação, são aspersores com gotas bem delicadas”. Todo o sistema é automatizado. “Contamos com um programador que facilita e controla quantas vezes por dia e o tempo deve ser a irrigação”.
A nutrição das plantas também segue uma receita balanceada. Para as fases de germinação e crescimento, a mistura padrão utiliza “10 sacos de substrato e 1 saco de bokashi (um insumo orgânico)”. A mesma proporção é mantida na rustificação, com a adição de um condicionador de solo.
Atualmente, as sementes que estão iniciando o ciclo no viveiro são de espécies como goiaba amarela, branca e vermelha; copaíba e embaúba. Todos os substratos e insumos garantem a qualidade e a saúde das mudas que, em breve, seguirão para recompor áreas da Mata Atlântica.
fotos: PEI
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