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Floresta protege saúde humana e biodiversidade

Pesquisa conduzida em unidades de conservação da Mata Atlântica, incluindo áreas de relevante interesse ecológico, traz uma perspectiva crucial sobre a relação entre floresta em pé e saúde pública. O trabalho, liderado pelo biólogo Jeronimo Alencar, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), destaca como a preservação ambiental atua como uma barreira natural na contenção de vetores de doenças.

As descobertas reforçam o papel multifuncional de espaços como o Parque Ecológico Imigrantes (PEI), que ao conservar a Mata Atlântica, não apenas protege a biodiversidade, mas também contribui ativamente para o bem-estar da população, transformando a floresta preservada em uma aliada da saúde pública.

O estudo, que analisou o comportamento de mosquitos em ambientes preservados como a Regua (Reserva Ecológica de Guapiaçu) e o Sítio Recanto Preservar, aponta que a biodiversidade é um fator chave. “O que nosso estudo mostra é que preservar a floresta também é uma forma de proteger a saúde humana. Em áreas bem conservadas existe uma grande diversidade de animais silvestres que funcionam como hospedeiros naturais dos mosquitos. Isso reduz o contato desses insetos com as pessoas”, explica Alencar.

A degradação ambiental, no entanto, quebra esse equilíbrio. “Quando a floresta é degradada, esse equilíbrio se perde, e os mosquitos passam a circular mais entre áreas naturais e urbanas, aumentando o risco de transmissão de patógenos”, complementa o biólogo, citando o exemplo da febre amarela. A conclusão é que manter a floresta em pé ajuda a “conter” os vetores longe dos centros urbanos.

Uma das vertentes da pesquisa identificou mosquitos que haviam se alimentado de sangue humano dentro da própria mata. Para o especialista, o achado serve de alerta. “Encontrar mosquitos com sangue humano dentro da floresta não é surpreendente, mas é um alerta. Essas espécies são muito adaptáveis e se alimentam do hospedeiro mais disponível”, afirma.

A presença de pessoas, como pesquisadores e visitantes, pode, com o tempo, reforçar esse contato, evidenciando um comportamento oportunista dos insetos.

A investigação também registrou um comportamento inédito na literatura científica, um mosquito da espécie Coquillettidia venezuelensis se alimentando de um anfíbio. A descoberta revela a flexibilidade alimentar desses insetos em ecossistemas ricos.

“Esse resultado sugere que, em ambientes biodiversos, os mosquitos podem explorar diferentes tipos de hospedeiros, o que amplia nossa compreensão sobre as interações ecológicas e possíveis rotas de circulação de patógenos”, analisa Alencar.

Diante das evidências, o estudo oferece recomendações valiosas para a gestão de parques e reservas. “Nossos resultados reforçam a importância de medidas simples e eficazes, como o uso regular de repelentes por visitantes e funcionários”, destaca o biólogo. A equipe ressalta ainda a necessidade de uma abordagem integrada. “É fundamental integrar conservação ambiental, educação em saúde e monitoramento de mosquitos. Preservar a floresta é essencial, mas isso deve vir acompanhado de práticas que reduzam o risco de exposição humana aos vetores.”

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