Inventário revela a riqueza de anfíbios e répteis no parque
O Parque Ecológico Imigrantes (PEI) segue consolidando sua vocação como centro de estudos e preservação ambiental ao registrar um levantamento sistemático da herpetofauna, termo utilizado para designar o conjunto de anfíbios (sapos, rãs, cobras-cegas, salamandras) e répteis (cobras, lagartos, tartarugas, jacarés) de uma determinada região.
Conduzido por uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o inventário catalogou 49 espécies, que trouxe novos dados sobre a vida que pulsa sob as copas das árvores e nos corpos d’água da unidade de conservação. Além de revelar detalhes valiosos sobre a ecologia e o comportamento desses animais em um contexto de Mata Atlântica.
De acordo com Vinícius Frederico Russo, biólogo e mestrando em Ecologia e Evolução (PPGEE/Unifesp), “muito além de uma simples lista de nomes, esse tipo de estudo funciona como um diagnóstico da saúde do ecossistema ao registrar a presença de anfíbios, como sapos, rãs e pererecas, e répteis, como lagartos e cobras, identificando onde ocorrem e como interagem com o ambiente”, explica Russo.
Para o PEI, esses dados estabelecem uma linha de base fundamental que permite monitorar o impacto das mudanças climáticas e garantir a conservação das espécies ao longo do tempo. Para enxergar a biodiversidade que muitas vezes passa despercebida aos olhos dos visitantes, os pesquisadores utilizaram um conjunto integrado de técnicas e ferramentas de precisão.
“O trabalho de campo incluiu o uso de armadilhas de solo do tipo pitfall trap, compostas por baldes enterrados em forma de Y e interligados por lonas, além de redes aquáticas e buscas ativas diárias em diferentes microambientes”, detalha Russo.
Papel pedagógico
A tecnologia também foi uma aliada estratégica dos pesquisadores, com o uso de celulares e gravadores para capturar imagens e vocalizações, enquanto o GPS registrou a localização exata de cada indivíduo. Segundo eles, na etapa laboratorial, lupas, paquímetros e balanças garantiram a correta identificação taxonômica e a coleta de dados biométricos, fornecendo a precisão necessária para o embasamento das análises científicas.
Os resultados impressionam pelo volume e pela relevância biológica, somando 28 espécies de anfíbios e 21 de répteis não voadores. “Mais do que a contagem, as observações revelaram comportamentos de defesa e estratégias de entrelaçamento de pernas em uma espécie de anuro (anfíbios que não possuem cauda na fase adulta), que ainda não haviam sido descritos na literatura científica”.
Essas descobertas inéditas devem ser publicadas em revistas especializadas e também darão origem a um guia de espécies do parque, aproximando o conhecimento acadêmico do público e reforçando as ações de educação ambiental.
O projeto também cumpre um papel pedagógico essencial, ao integrar dados a pesquisas de pós-graduação, como o mestrado de Russo, sobre espécies associadas a bromélias. Esse estudo despertará o interesse de alunos para futuras pesquisas na área. O levantamento contou com a expertise técnica do biólogo e professor adjunto Marcelo José Sturaro, além dos biólogos e mestrandos em Ecologia e Evolução Juliana Midori Kobayashi Cunha, Raphael Fernandes Jorge Dér.
Ao apoiar iniciativas científicas dessa magnitude, o Parque Ecológico Imigrantes reafirma seu compromisso com a preservação da biodiversidade, transformando o rigor da pesquisa acadêmica em uma ferramenta prática para o manejo e a proteção da fauna silvestre da Mata Atlântica.
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