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Lagartos-teiús são vizinhos da passarela e símbolo de resistência

Ouvir o som da mata em movimento é uma experiência comum logo no início da caminhada pela passarela elevada do Parque Ecológico Imigrantes (PEI). À medida que os visitantes avançam pela trilha, já podem avistar os lagartos-teiú (Salvator merianae), que se tornaram figuras familiares para frequentadores e funcionários, especialmente nos dias ensolarados. Apesar da imponência, não representam ameaça: vivem entre a estrutura da passarela e o verde exuberante da Mata Atlântica.

Com seu porte marcante e olhar curioso, os teiús são parte integrante da biodiversidade local, acrescentando ainda mais encanto ao passeio e reforçando a conexão entre visitantes e a riqueza natural do parque. Os teiús que ali vivem são frequentemente vistos tomando sol na grama ou se deslocando lentamente entre a vegetação rasteira. Com até 1,5 metro de comprimento quando adultos, eles podem assustar à primeira vista, mas são inofensivos e evitam contato com humanos.

A presença constante deles é um indicador de que o parque cumpre seu papel de refúgio para a fauna remanescente. A espécie é adaptável e consegue viver em áreas alteradas, mas depende de locais com abrigo e alimento, como pequenos roedores, frutos e ovos de aves que nidificam no chão.

No Parque Ecológico Imigrantes, a convivência entre humanos e teiús é um exercício diário de respeito. Os lagartos não são alimentados por frequentadores — o que é fundamental para que não percam o medo natural e não se tornem dependentes. Assim eles têm seu espaço garantido pela extensa área de mata preservada.

Surpresa em Jaraguá do Sul 

Enquanto no PEI esses lagartos convivem diariamente com o movimento de pessoas, em Santa Catarina um biólogo viveu uma cena rara que ajuda a entender melhor a biologia desses animais. Christian Raboch, da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), registrou o nascimento de 16 filhotes de teiú, na cidade de Jaraguá do Sul. Os ovos haviam sido entregues por um morador, que os encontrou no quintal e temeu pela quantidade de animais que iriam nascer.

O vídeo do nascimento já ultrapassou 873 mil visualizações na internet e mostra os filhotes rompendo a casca com a ajuda do biólogo, sendo levados para uma área de mata. A cena, além de emocionante, é didática: os ovos de teiú levam entre 60 e 90 dias para eclodir e, diferentemente das aves, os pais não os chocam.

O segredo para o desenvolvimento dos embriões é a umidade, um cuidado que Raboch teve ao borrifar água regularmente sobre a terra que abrigava os ovos. “Foi uma das coisas mais inéditas que já presenciei”, contou o biólogo ao G1. Ele explica que, na natureza, nem todos os filhotes sobrevivem, e os que vingam já nascem independentes, sem cuidado parental — embora um adulto possa vigiar o ninho.

O caso de Jaraguá do Sul também serve de alerta sobre a conduta correta ao encontrar filhotes ou ovos de animais silvestres. O morador que entregou os ovos à Fujama agiu corretamente ao acionar órgãos ambientais. Em áreas urbanas, é comum que teiús procurem quintais para fazer seus ninhos, e a recomendação é não tocar nos ovos e não tentar ajudar os filhotes a nascer.

Foto Blond Vision, Own work Creative Commons BY-SA 3.0

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