Lontra: um tesouro discreto da Mata Atlântica
A lontra‑neotropical, conhecida cientificamente como Lontra longicaudis, é um dos mamíferos mais intrigantes da fauna brasileira. Ágil, inteligente e extremamente adaptada à vida aquática, ela habita rios limpos, lagos e áreas úmidas cercadas por vegetação densa — condições que fazem da Mata Atlântica um de seus ambientes mais favoráveis.
Com corpo alongado e hidrodinâmico, pelagem impermeável e patas com membranas que funcionam como verdadeiras “nadadeiras”, a lontra se move com elegância pela água, onde passa boa parte do tempo caçando, explorando e até brincando.
Seu comportamento é um espetáculo à parte. Frequentemente observada deslizando em barrancos, manipulando pedras para abrir crustáceos ou pescando com precisão impressionante, a lontra demonstra um nível de inteligência que chama a atenção de pesquisadores. Sua dieta é composta principalmente por peixes, mas inclui também camarões, caranguejos, anfíbios e pequenos vertebrados. Por ocupar o topo da cadeia alimentar em ambientes aquáticos, sua presença é considerada um indicador de qualidade ambiental: onde há lontra, há água limpa e ecossistemas equilibrados.
A espécie, porém, enfrenta desafios. A poluição dos rios, o desmatamento e a expansão urbana reduzem drasticamente seus habitats. Por isso, áreas preservadas de Mata Atlântica se tornam essenciais para sua sobrevivência — e é justamente nesse ponto que surge a pergunta: a lontra pode ser encontrada no Parque Ecológico Imigrantes?
Acredita-se que sim. Como o parque está inserido em um fragmento bem preservado de Mata Atlântica, é exatamente o tipo de ambiente que a lontra utiliza como habitat natural. Rios limpos, mata ciliar conservada e baixa interferência humana são características que favorecem a espécie — e todas elas estão presentes na área do parque. Assim, embora não exista registro público que confirme a ocorrência da lontra ali, é ecologicamente plausível que ela utilize a região, especialmente em trechos mais silenciosos e pouco acessíveis.
Foto: Anthony Batista (Creative Commons em www.inaturalist.org)
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