Você sabe o que é a biocapacidade?
Em um mundo onde a demanda por recursos naturais não para de crescer, entender a saúde do nosso planeta é fundamental. Para isso, cientistas utilizam indicadores poderosos que funcionam como inventários ecológicos. Um dos mais importantes é a biocapacidade. Mas, afinal, o que isso significa e como um espaço verde na maior região metropolitana do país se encaixa nessa equação? O Parque Ecológico Imigrantes (PEI), um fragmento de Mata Atlântica em São Bernardo do Campo, é um exemplo de como a preservação local contribui para o equilíbrio ecológico global.
A biocapacidade, ou capacidade biológica, é a habilidade de um ecossistema específico, seja ele uma fazenda, uma floresta ou o planeta inteiro, de produzir recursos naturais renováveis e absorver os resíduos gerados pela atividade humana.
Pense no conceito como o “capital natural” que a Terra tem disponível em um determinado ano. Esse cálculo leva em conta áreas biologicamente produtivas, como terras cultiváveis para produção de alimentos e fibras, pastagens para criação de gado, florestas para fornecimento de madeira e absorção de CO₂, zonas pesqueiras em rios e oceanos, e também áreas construídas, como cidades e infraestrutura, que ocupam solos produtivos.
É neste contexto que o PEI é protagonista. O parque possui uma área de 484 mil metros quadrados dedicada à preservação da Mata Atlântica e à educação ambiental, em um dos biomas mais ameaçados do planeta. Do qual restam apenas cerca de 7,3% da vegetação original. Com uma área de preservação, o parque atua como um polo desempenhando funções essenciais que se alinham diretamente aos componentes que medem a biocapacidade de uma região.
“Um dos seus principais fatores é a capacidade de absorver o dióxido de carbono. As florestas nativas em processo de recuperação atuam como ´sumidouros de carbono´, retirando CO₂ da atmosfera e ajudando a mitigar as mudanças climáticas. Assim, compensam parte das emissões geradas pela poluição dos veículos na rodovia e pela atividade industrial da região”, explica Davi Costa, gerente operacional do PEI.
Para padronizar a medição, os cientistas usam uma unidade chamada hectare global, que representa um hectare com produtividade média mundial. A biocapacidade média do planeta é de cerca de 1,6 hectare por pessoa, mas a humanidade consome como se tivéssemos mais de um planeta disponível.
A biocapacidade não anda sozinha, ela é constantemente comparada com a “pegada ecológica”, que mede o quanto demandamos desses recursos. A conta é simples, se a “pegada ecológica” é maior que a biocapacidade, temos um déficit ecológico, o que significa que estamos “gastando” mais do que o planeta consegue repor, consumindo seu capital natural.
Se a Pegada Ecológica é menor que a biocapacidade, temos um superávit ecológico, vivendo dentro dos limites de regeneração do planeta. Atualmente, vivemos uma situação de sobrecarga, e a humanidade entra em déficit ecológico por volta de agosto de cada ano, o que significa que, no restante do ano, estamos consumindo recursos que deveriam ser mantidos para as gerações futuras.
A biocapacidade também está ligada à saúde e produtividade do ecossistema. Uma floresta preservada regula o ciclo de água, evita a erosão do solo e mantém as condições para a vida, serviços ecossistêmicos fundamentais que a biocapacidade tenta mensurar. O Brasil é uma potência em biocapacidade. O país possui uma das maiores reservas de capital natural do mundo. No entanto, esse superávit não é garantia eterna, pois o desmatamento e a degradação ambiental são os maiores inimigos da biocapacidade.
Iniciativas como o Parque Ecológico Imigrantes são vitais porque demonstram, na prática, como a iniciativa privada e a sociedade podem se unir para proteger o planeta. Com recursos finitos, cada hectare de floresta em pé faz a diferença. O Parque Ecológico Imigrantes não é apenas um espaço de lazer, é uma peça fundamental na engrenagem da sustentabilidade, um exemplo vivo de como proteger a biocapacidade é, em última análise, proteger o nosso futuro.
Biocapacidade – Infografia Vinicius Gomes Rocha
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