Levantamento no Parque Ecológico Imigrantes identifica 101 espécies de aves
Em um processo que envolveu mais de 100 horas de campo em meio à Mata Atlântica do Parque Ecológico Imigrantes (PEI), pesquisadores identificaram a ocorrência de 101 espécies de aves. Um trabalho que englobou, até agora, quatro incursões – de 24 horas cada etapa − para reconhecimento das espécies, realizadas nos meses de novembro de 2025 a janeiro, março e maio de 2026.
De acordo com os pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Campus Diadema – Gustavo Ferreira Diniz e Lucas Genu Soffo, o trabalho consiste no levantamento da avifauna do PEI. “Como havia poucos dados prévios, como o “Catálogo de fauna” de dezembro de 2022 e registros pontuais no Instagram de aves observadas durante as trilhas, a maior parte das informações está sendo inédita para o parque”, explica Diniz.

sabiá-coleira (Turdus albicollis)
No geral, os pesquisadores contam que a metodologia utilizada foi a de busca ativa, com gravações de áudio de cerca de 5 minutos, para identificar os cantos das aves. “Assim que suspeitávamos da identificação de uma espécie, utilizávamos playbacks para confirmar o registro visualmente ou vocalmente. Além das gravações, fizemos fotografias, tendo assim registros de boa parte das espécies identificadas até o momento”.

choquinha-de-garganta-pintada (Rhopias gularis)
Espécies marcantes
Entre as aves mais conhecidas, o trabalho dos especialistas identificou a Araponga (Procnias nudicollis). De acordo com Diniz, a ave tem maior atividade vocal entre a primavera e o verão. É uma das poucas espécies que o som do canto consegue vencer o da rodovia. Sua vocalização se assemelha a um golpe de martelo em uma estrutura metálica. Ou seja, um estrondo muito alto.

araponga (Procnias nudicollis)
A Araponga é uma ave de cerca de 27 centímetros. O macho é todo branco com um papo azul-esverdeado. Essa espécie foi considerada quase ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN (que avalia o risco de extinção das espécies a nível mundial).
Outras aves observadas, foram os tangarás (Chiroxiphia caudata). A espécie, endêmica da Mata Atlântica, tem como características principais as cores e o comportamento dos machos, por possuírem corpo preto e azul e uma espécie de “chapéu” vermelho na cabeça. O cortejo que fazem às fêmeas é algo encantador. Agem com o comportamento de “arena”, que consiste em se enfileirar e dançar diante do sexo oposto. Aquele que tiver o melhor desempenho como dançarino, segundo a avaliação da fêmea, será o escolhido para copular.

murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana)
Os especialistas destacam o registro de uma espécie que é bem exigente com seu ambiente e depende de uma estrutura de mata com boa serrapilheira (aquelas folhas que caem das árvores e acumulam matéria orgânica na superfície do solo). Trata-se do Vira-folha (Sclerurus scansor), uma ave de coloração marrom, que fica no solo jogando as folhas para o alto em busca de invertebrados.
O processo
A estrutura vertical da Mata Atlântica propicia uma altíssima biodiversidade, com aves forrageando do solo ao sub-bosque, até a copa das árvores. “A posição estratégica da passarela possibilita a observação de diversas espécies, como a saíra-sete-cores, saíra-ferrugem, saí-azul, pula-pula, entre outras”, explica Diniz.

tangará (Chiroxiphia caudata)
Os especialistas se organizaram em três turnos de 4 horas cada. Sendo, na parte da manhã, o principal momento de atividade vocal das aves. No período da tarde, nos períodos mais quentes do dia, eles buscaram observar os rapinantes alçando voo nas correntes de ar quente, chamadas “térmicas”. Quando começa a escurecer, se iniciava a última busca noturna, quando procuravam corujas.
Já dentro das trilhas, graças ao adensamento da mata, outras espécies − como o limpa-folha-coroado e o tangará − podem ser ouvidas, mas raramente vistas, graças à baixa luminosidade e aos pontos de contraluz típicos da Mata Atlântica, explicam os profissionais.

limpa-folha-coroado (Philydor atricapillus)
Neste processo, os binóculos são essenciais, dizem os pesquisadores. O gravador é auxiliar para captar o som das aves e a câmera para gerar os registros. “No geral, andamos muito pelas trilhas, cerca de 10 km por dia, a fim de conseguir descrever o melhor possível as espécies em toda a amplitude do parque”.
A sazonalidade é um efeito previsto pelos especialistas nos levantamentos de fauna. Uma das exigências é que o esforço amostral componha pelo menos uma ida a campo na estação seca, como no inverno e outra na chuvosa, como na primavera. “No nosso caso, optamos por realizar saídas bimestrais, desde novembro de 2025, a fim de conseguir evitar ao máximo perder qualquer registro”, finaliza Diniz.
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