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Pesquisa especifica 78 espécies de árvores distribuídas em 24 famílias

Um levantamento detalhado da vegetação do Parque Ecológico Imigrantes (PEI) revelou a riqueza e a preservação da biodiversidade presente no local. Conduzido pela Profa. Dra. Camila de Toledo Castanho, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o estudo aponta dados expressivos sobre a estrutura da floresta e a presença de espécies fundamentais para a conservação da Mata Atlântica.

A pesquisa indica que a vegetação apresenta um alto grau de regeneração e integridade. Segundo Castanho, a área encontra-se em estágio de médio a avançado de sucessão ecológica. “Até o momento foram identificadas pelo menos 78 espécies de árvores distribuídas em 24 famílias. Entre as espécies arbóreas com mais do que 2 m de altura, a espécie mais abundante no PEI é Faramea tetragona (da família Rubiaceae) com aproximadamente 20% dos indivíduos amostrados”.

Athenaea sellowiana

Outras espécies comuns, mas com representação bem mais reduzida (entre 3% a 4% dos indivíduos) estão o Euterpe edulis (o palmito-juçara da família Arecaceae), a Guapira Opposita (conhecida popularmente como maria-mole, da família Nyctaginaceae) e uma espécie até então identificada como Casearia sp. (da família Salicaceae). As demais espécies encontradas apresentam abundância bem reduzida, com menos de 2% dos indivíduos arbóreos amostrados.

Um dos achados mais relevantes da pesquisa é a identificação de nove espécies da flora nativa que constam nas listas oficiais de ameaça de extinção, reforçando o papel do Parque Ecológico Imigrantes como uma importante unidade de conservação para a flora regional.

Entre as espécies identificadas, nove apresentam graus de ameaça mais elevados, sendo duas classificadas como ‘Quase ameaçada (NT)’ (Mollinedia boracensis e Myrcia flagellaris), cinco como ‘Vulnerável (VU)’ (Euterpe edulis, Myrcia aethusa, Ocotea catharinensis, Pradosia glaziovii e Xylosma glaberrima) e duas ‘Em Perigo (EN)’ (Athenaea sellowiana e Pouteria bullata).

“Destas, destacam-se E. edulis, popularmente conhecido como palmito-juçara; P. glaziovii, espécie considerada em extinção até 2015, e A. sellowiana, que apresenta distribuição geográfica limitada, ocorrendo apenas no estado de São Paulo, nos municípios de Cunha, Marsilac, São Paulo e São Bernardo do Campo”.

Faramea tetragona

A integridade do ecossistema interno do parque tem se mostrado eficiente em barrar a proliferação de plantas exóticas invasoras nas áreas preservadas.

“O levantamento de espécies arbóreas que estamos conduzindo está concentrado nos trechos mais internos do remanescente florestal, onde até o momento não foram identificadas espécies vegetais invasoras. Nas bordas do remanescente, especialmente nos trechos mais próximos da rodovia, é possível que tenha alguma espécie. De qualquer maneira, nunca me chamou a atenção nenhuma espécie exótica de grande abundância”.

A vegetação do parque desempenha um papel vital no suporte aos animais da região. Embora a interação fauna-flora não tenha sido o foco central do estudo, a literatura científica comprova a relevância das espécies locais para a alimentação e abrigo dos animais.

“Há evidências na literatura de que muitas das espécies identificadas no parque têm grande importância para a fauna local. Os exemplos como o palmito-juçara (Euterpe edulis); Inga sp. (encontramos até o momento pelo menos cinco espécies diferentes de Ingá); ataúba (Guarea macrophylla); pindaúba-preta (Guatteria australis) e araçá-vermelho (Psidium cattleianum)”.

Além disso, a presença de determinados grupos vegetais auxilia no monitoramento contínuo da saúde ecológica do PEI e na aplicação do seu Plano de Manejo. Entre as árvores, o palmito-juçara (E. edulis) e a canela-preta (Ocotea catharinensis) são indicadoras de trechos mais maduros de floresta. Além disso, bromélias e orquídeas de forma geral são indicadores de boa qualidade ambiental”, conclui Castanho.

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