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Pesquisa reforça a importância do valor das florestas

A área do Parque Ecológico Imigrantes (PEI) é classificada por especialistas como de floresta secundária. Ou seja, de uma vegetação que voltou a crescer após intervenções humanas. No passado, a flora local sofreu com a extração de madeira para a produção de carvão vegetal e hoje, sua regeneração, ajuda a contar uma história que se repete em outras partes da Mata Atlântica.

Segundo dados de pesquisa realizada pelo MapBiomas e apresentados pela Eco21, 24% da vegetação nativa do bioma corresponde a áreas que se regeneraram após desmatamentos desde 1985. O levantamento integra a Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra, com informações de 1985 a 2025.

Nesse período, mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária se estabeleceram em áreas anteriormente desmatadas. Ao mesmo tempo, o bioma perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura, definida no levantamento como aquela mapeada como nativa desde 1985. Considerando toda a cobertura nativa, a perda foi de 5 milhões de hectares, ou 12%.

A recuperação também enfrenta interrupções. Entre 2021 e 2025, a supressão atingiu 1,2 milhão de hectares, ou seja, aproximadamente 700 mil hectares de áreas de vegetação secundária e 500 mil de vegetação madura. Assim, cerca de 60% da área suprimida nos cinco anos mais recentes estava em regeneração. Os resultados evidenciam a necessidade de proteger tanto os remanescentes antigos quanto a vegetação que volta a ocupar o território.

No PEI, um levantamento recente conduzido pela professora Camila de Toledo Castanho, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), oferece uma dimensão local do valor dessas florestas. No estudo, foram identificadas pelo menos 78 espécies de árvores, distribuídas em 24 famílias. Segundo a pesquisadora, a vegetação encontra-se em estágio de médio a avançado de sucessão ecológica — o processo de transformação da comunidade vegetal ao longo do tempo.

Entre os registros estão o palmito-juçara (Euterpe edulis) e a canela-preta (Ocotea catharinensis), apontados pela pesquisadora como indicadores de trechos mais maduros de floresta. O levantamento também identificou Athenaea sellowiana e Pouteria bullata, apresentadas na publicação do parque como espécies classificadas na categoria “Em Perigo”. Já Faramea tetragona foi a árvore mais abundante entre os indivíduos amostrados com mais de dois metros de altura, representando aproximadamente 20% desse conjunto.

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