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Floresta é convite para tirar as crianças das telas

O contato direto com a Mata Atlântica estimula a curiosidade e a concentração, além de despertar o interesse das novas gerações pela conservação da natureza. Na atualidade, os celulares, tablets e computadores fazem parte da rotina da maioria das crianças desde os primeiros anos de vida e caminhar pelo Parque Ecológico Imigrantes pode representar uma experiência transformadora para eles.

Longe das telas, os pequenos descobrem um universo de sons, cores, aromas e movimentos que estimulam os sentidos e despertam a curiosidade. No Parque Ecológico Imigrantes (PEI), o contato direto com a biodiversidade da Mata Atlântica proporciona experiências que combinam aprendizado, diversão e consciência ambiental.

Diferentemente dos conteúdos digitais, que oferecem informações prontas e respostas imediatas, a natureza convida à observação, à descoberta e à construção do próprio conhecimento. Essas experiências também favorecem o desenvolvimento cognitivo, emocional e social, estimulando a autonomia, a coordenação motora e a convivência em grupo.

“Na mata, a criança aprende através da interação. Ela ouve um pássaro sem vê-lo, sente cheiros, observa e tira as próprias conclusões. Isso trabalha a atenção, coordenação e convivência. Existem pesquisas que mostram que a natureza melhora a concentração e reduz o estresse”, explica o biólogo do parque, Bruno Barbanti.

Segundo ele, a vivência na floresta complementa o aprendizado escolar. “A sala de aula introduz o assunto e, ao caminhar na altura da copa das árvores, como no PEI, pode ver de perto o que havia visto nos livros.”

Entre os elementos da biodiversidade que mais despertam o interesse dos pequenos estão os animais que habitam a Mata Atlântica, especialmente aqueles que impressionam pelo tamanho ou pelos sons que produzem.

“Assuntos como a anta e o bugio fazem sucesso. A anta pelo tamanho e pelas pegadas que deixa; já o bugio, pelo ronco que se ouve de longe. As crianças também gostam das aves e da ideia de animais como pacas, tatus, veados, gatos-do-mato e onças andando naquele local”, conta Barbanti.

Mais do que conhecer espécies e compreender suas características, a experiência de estar em uma área de Mata Atlântica preservada ajuda as crianças a perceberem as relações entre os seres vivos e o ambiente. Ao vivenciar essas descobertas, conceitos como preservação, equilíbrio ecológico e sustentabilidade deixam de ser apenas conteúdos escolares e passam a fazer parte da experiência pessoal.

Para o biólogo, essa aproximação é fundamental para a formação de uma consciência ambiental que pode acompanhar as crianças por toda a vida. “As pessoas só cuidam do que conhecem. Quando a criança entende que a anta só está ali porque a mata está protegida, ela faz essa ligação sozinha, e isso vale mais do que qualquer discurso.”

Ele destaca ainda que “o vínculo criado na infância costuma durar”, fazendo com que pessoas que tiveram contato com a natureza desde pequenas tendam a demonstrar maior empatia com o meio ambiente na vida adulta.

Em uma sociedade marcada pelo acesso precoce à internet e pelo consumo constante de conteúdos digitais, proporcionar momentos ao ar livre também significa oferecer às crianças a oportunidade de desacelerar. Na floresta, nem tudo acontece imediatamente. É preciso observar, escutar, esperar e respeitar o ritmo da natureza.

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