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Vírus ameaça pererecas em reserva de Santa Catarina

A Mata Atlântica abriga uma diversidade de anfíbios que precisa de atenção também para ameaças pouco visíveis. Uma pesquisa apoiada pela Fapesp associou surtos de ranavirose à redução de 83% na atividade reprodutiva da perereca-macaco (Phyllomedusa distincta), em uma lagoa de Santa Catarina. Publicado no último 20 de agosto, na revista Biodiversity and Conservation, o estudo comprova a doença como causa de morte em massa de anfíbios nativos na América do Sul.

A investigação ocorreu na Reserva Particular do Patrimônio Natural Santuário Rã-Bugio, em Guaramirim. Entre 2024 e 2026, três surtos acompanharam a morte de 324 girinos, dos quais 315 eram de perereca-macaco. Testes moleculares e análises dos tecidos confirmaram a infecção, que provoca lesões graves em órgãos como o fígado. O ranavírus também pode afetar peixes e répteis.

Para avaliar os impactos sobre a reprodução, os pesquisadores compararam registros de massas de ovos dos períodos de 1999 a 2004 e de 2025 a 2026. A queda estimada de 83% nesse indicador evidencia a dificuldade de renovação da população estudada. A espécie deposita seus ovos em folhas sobre a lagoa, de onde os girinos caem na água após a eclosão.

Os resultados também apontam uma associação entre baixa umidade do ar e maior probabilidade de surtos. As variações climáticas de longo prazo, entretanto, não explicaram a redução reprodutiva tão bem quanto o surgimento recorrente da doença. Para os autores, acompanhar a saúde dos animais deve fazer parte das estratégias de conservação dos anfíbios.

Pithecopus rohdei na Bahia, por Renato Augusto Martins, Creative Commons

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