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Recorde de registros de suçuaranas na Mata Atlântica da Bahia

A Mata Atlântica acaba de dar mais uma demonstração de sua capacidade de recuperação quando recebe proteção e cuidados contínuos. A Reserva Ecológica Michelin, localizada no sul da Bahia, registrou um número recorde de imagens de suçuaranas, também conhecidas como onças-pardas. O monitoramento identificou cinco espécies em reserva ecológica e demonstra como a proteção das florestas contribui para a recuperação da biodiversidade.

Ao todo, foram 49 registros em vídeo realizados por câmeras de monitoramento em junho de 2026, o maior número desde o início do acompanhamento, em 2018. As imagens permitiram identificar pelo menos cinco animais, sendo três machos e duas fêmeas, que utilizam a área protegida de aproximadamente quatro mil hectares.

A presença desses grandes felinos representa uma notícia importante para a conservação ambiental. A suçuarana (Puma concolor) é o segundo maior felino das Américas e ocupa uma posição de destaque na cadeia alimentar. Como predadora, contribui para regular as populações de outros animais e manter o equilíbrio dos ecossistemas.

Sua sobrevivência depende de extensas áreas de vegetação, disponibilidade de presas e condições adequadas de abrigo. Por isso, a presença frequente da espécie é considerada um indicador positivo da qualidade ambiental das florestas.

Criada em 2004, a Reserva Ecológica Michelin desenvolve um trabalho permanente de proteção da fauna, recuperação da vegetação nativa, pesquisa científica e educação ambiental. Segundo dados da instituição, as iniciativas realizadas ao longo de mais de duas décadas contribuíram para reduzir em 96% a pressão da caça ilegal e aumentar em 117% a abundância de mamíferos e aves de grande porte.

A reserva também abriga mais de 2.500 espécies de animais e plantas, demonstrando a riqueza biológica que pode ser preservada por meio de ações de conservação de longo prazo.

Apesar dos resultados positivos, a conservação da suçuarana ainda enfrenta desafios no Brasil. A perda de vegetação nativa, a fragmentação das florestas, os atropelamentos e os conflitos com atividades humanas estão entre as principais ameaças à espécie.

Na Mata Atlântica, onde grandes extensões de floresta foram substituídas por cidades, estradas e áreas agrícolas, a manutenção de corredores ecológicos é fundamental para permitir o deslocamento dos animais entre diferentes fragmentos de vegetação. Essas conexões favorecem a busca por alimento, a reprodução e a diversidade genética das populações.

A experiência da reserva baiana também chama a atenção para a importância das áreas protegidas em outras regiões do país, como a Serra do Mar, em São Paulo.

Fonte: Um Só Planeta, reportagem de 6 de julho de 2026, com informações complementares da Reserva Ecológica Michelin. Foto: Reserva Michelin/divulgação

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