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Rato-do-cacau, um raro morador das árvores

Com uma pelagem clara, marcada por uma larga faixa escura nas costas, o rato-do-cacau (Callistomys pictus), é um mamífero pouco conhecido da Mata Atlântica. Também chamado de saruê-beiju, esse roedor vive nas árvores e possui uma cauda que pode ultrapassar o comprimento do próprio corpo.

A aparência chama a atenção, mas encontrá-lo na natureza exige mais do que um olhar atento, já que os hábitos noturnos e discretos dificultam a observação.

A espécie ocorre na Mata Atlântica da Bahia, em áreas próximas de Ilhéus até a região de Elísio Medrado. Além das florestas, encontra abrigo nas cabrucas, sistema de cultivo em que os cacaueiros crescem sob a sombra de árvores da mata nativa. Essa relação com a paisagem cacaueira ajuda a explicar seu nome popular e mostra como a conservação das árvores pode favorecer a permanência de animais silvestres.

Quando anoitece, o rato-do-cacau sai em busca de folhas e frutos, que compõem sua alimentação. Ocos de árvores e bromélias estão entre os locais utilizados como abrigo. Arisco, costuma se esconder ao perceber que está sendo observado, comportamento que também representa um desafio para os pesquisadores. Ainda existem lacunas sobre sua biologia, reforçando a importância de estudos que ajudem a conhecer melhor suas necessidades.

Classificado como Em Perigo, o mamífero está entre as espécies contempladas pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Mamíferos de Áreas Florestais. A transformação de florestas e cabrucas tradicionais em áreas destinadas a outras atividades agropecuárias reduz os ambientes disponíveis para sua sobrevivência. Proteger esses espaços significa preservar as condições para que o animal encontre alimento, abrigo e locais para se reproduzir.

Foto: Raquel Moura durante pesquisa Fapesp

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